• O Amor da sua Vida

    Pode estar por perto, ou um pouquinho distante do que você sequer imagina

  • Posso Cuidar de Você?

    Nem se atreva a dizer que estou te iludindo pois a vontade que tenho é de ficar contigo...

  • Lições de Vida

    Alguns filmes que foram lançados e que refletem bem a realidade, transmitindo um tipo de mensagem específico...

Sexto Capítulo de Corações Desimpedidos

Zeca parecia não querer se afastar de Gisele e ele viu ali a oportunidade que ele tanto queria que era de se aproximar e recuperar todos os momentos bons que eles viveram numa época não muito distante.

Daniel olhando para aquela cena parecia que o mundo desabara sobre sua cabeça. Aí estava a razão então porque ela o evitava. Era porque ela estava com aquele cara – pensava ele – e ela não o queria dar satisfações sobre aquilo tudo. Entendeu que não tinha nada a fazer ali e nem como amigo simplesmente ele não tinha condições de intervir na crise que Gisele estava passando, pois ele reconhecia aí o seu interesse de conquistá-la e de agradá-la e que queria entrar naquela história de querer saber do paradeiro de sua amiga Grace por ela. Afastou-se da porta e suas pernas tremulavam juntamente com suas mãos que tremiam segurando o corrimão das escadas ao descer.

Gisele num impulso viu que bastava e que aquilo não tinha nada a haver.

– Por favor, Zeca é melhor você ir embora!

– Me perdoe, Gisele, mas eu fiz o que estava em meu coração. Eu ainda adoro você e quero que você me perdoe não por este momento, mas por tudo o que eu te causei de ruim no passado.

– Eu não quero falar sobre isso agora. Não é momento de rever o passado algum. Eu estou preocupada com Grace e tenho de qualquer maneira avisar os pais dela o que você me passou ainda pouco.

Cabisbaixa e trêmula ela se sentou no sofá tentando digitar no telefone para casa de Alda, mas Zeca a deteve segurando suas mãos de completar a ligação.  Ele a segurou pelo ombro fazendo que ela o olhasse nos olhos novamente, sentados os dois ali.

– Será que eu posso esperar uma nova chance?

Gisele estava abalada com tudo e muito confusa e não esperava aquilo diante dos devaneios que ela estava tendo antes por Daniel.

Se desvencilhou de Zeca mais uma vez e:

– Zeca obrigado por tudo, continue me mantendo informada de qualquer novidade, mas eu preciso que você vá embora agora. Obrigada pela companhia e pelo teu empenho. Eu preciso ficar sozinha agora.

– Mas esse beijo não significou nada pra você?

Discussao-de-Casal

– Zeca, esse beijo nem era pra ter acontecido. Somos amigos e não confunda amizade com outros tipos de sentimentos. – Ela declara em poucas palavras.

Zeca saiu sem dizer mais uma palavra, olhando para Gisele, mas percebeu que ela ficara impactada e que aquela reação dela poderia ser um sinal de esperança para ele, ignorando o fato de ela querer só a amizade dele.

Quando ele saiu, Gisele foi depressa trancar a porta e ficou encostada sobre ela olhando para o vazio com o rosto pálido e não sabia o que pensar mais.

Tudo o que ela precisava naquele momento era ver Daniel, estar perto dele, poder desafiá-lo novamente diante da ousadia dele. Talvez desta vez – pensava ela, consigo mesma – Ela já não seria tão dura e cedesse um pouco mais.

Daí a pouco Gisele pega o telefone e fala com Doroth.

– Como estão às coisas por ai?

– Tudo sob controle amiga. – disse Doroth um tanto curiosa pois não sabia qual atitude Daniel iria tomar depois da conversa dos dois naquela tarde. – E você? Está bem?

– Sim, sim, eu... To bem. Um tanto cansada.

– Amiga, eu to estranhando a sua voz e te conheço muito bem. Tem certeza do que ta me dizendo? Você está bem mesmo?

– Olha, Doroth, ... – Gisele já sabia que não conseguia esconder nada da amiga. – Quando terminar o expediente aí preciso que venha até aqui.

Doroth estranhou a aflição da amiga e pensou logo que Daniel dera alguma bandeira e que poderia comprometer a amizade das duas. E ficou um pouco pensativa.

– Você ta me ouvindo, Doroth?

– Sim, eu vou já pra aí quando terminar tudo aqui.

– E o Daniel? Está aí?

– O Daniel?! – Doroth não estava entendendo nada.

– Sim, o Daniel. Como está ele aí no serviço?

– Ele deu uma saída, pois não estava se sentindo bem, mas está tudo sob controle.

– Mas aconteceu alguma coisa?

– Não amiga, ta tudo bem. Olha deixa eu chegar aí pra nós conversarmos melhor, pode ser?

– Te aguardo então. – desliga Gisele.

 

Quando Doroth desligou, ela ficou ainda parada com o telefone na mão e não conseguia entender o que poderia ter acontecido. Ela lembrava que Daniel saíra dali resoluto a tomar atitudes a mais em relação a Gisele e não podia entender o que poderia acontecer e que o que poderia dar errado. Estava mais curiosa ainda por saber o que poderia ter acontecido diante do nervosismo de Gisele e aquele telefonema intrigante. Começou a apressar as coisas para sair logo para ir pra casa da amiga.

Sua distração foi interrompida com a entrada do Sr. Otávio que entrara com sua valise na mão como que de saída.

– Olá, Doroth! Eu to de saída, vou me encontrar com um cliente novo e não volto. Peço que cuide de tudo aí e feche o escritório.

– Sim, Sr. Otávio!

Ele se vira para ela um pouco antes de tomar a porta e pergunta:

– E Gisele, como está? Já conseguiu resolver lá o caso da amiga desaparecida.

– Ainda não Senhor Otávio, mas ta todo mundo mobilizado. Mas amanhã ela estará de volta.

– Não seja por isso, o importante é ela resolver esse caso e ficar bem. E o Daniel? Onde está?

– Ele deu uma saída mais cedo, Sr. Otávio. Mas algum problema?

– Não, não de maneira alguma... só uma observação: Daniel e Gisele... Ta acontecendo alguma coisa entre esses dois?

Doroth ficou um tanto assustada com a pergunta do Sr. Otávio.

– Não!... Não de maneira alguma, Sr. Otávio, quer dizer... pelo menos que eu saiba.

Sr. Otávio deu um sorriso cúmplice se dirigindo para a porta:

– Esses dois não sei não! Sinto que ta rolando, como vocês falam, alguma coisa no ar.

E saiu.

Doroth viu aí então que o clima entre Daniel e Gisele estava já indisfarçável.

 

Daniel chega em casa e encontra seu irmão à espera dele.

– E aí cara, vim te esperar aqui, mas não esperava que você chegasse tão cedo. Vim falar pra você a novidade: aquilo que você me pediu para ajudar achar a tal garota: a Grace...

– Pode esquecer, cara, pode esquecer! – disse Daniel antes que seu irmão acabasse de falar. –  Te agradeço por tudo, mas não precisa mais não.

Daniel se jogou no sofá exausto e abatido e Wallace estranhou seu jeito.

– Que foi, fera, que aconteceu? Você parecia tão entusiasmado e empenhado em ajudar a tal Gisele nesse caso. E eu sei muito bem por que, sabe disso.

– Pois então pensou demais!

– Perai cara, eu venho aqui na melhor das intenções tentando te dar uma moral no que você me pediu e você me dá várias patadas dessa.

Daniel estava estressado e olhou para o irmão ansioso. Seu olhar estava transtornado.

– Desculpa ai, mano. Não é nada com você não. Não é nada disso. Eu é que sou um babaca mesmo.

– Perai, cara, o que aconteceu? Desanimou de ajudar a garota? Desabafa ai pro seu brother!

– Não vale a pena não cara. Não vale a pena mais nada. Vamos sair pra tomar alguma coisa e no caminho te conto.

– Calma aí cara, você ta muito nervoso e cair na bebida assim sem mais nem menos não vai adiantar nada. Não quer me contar o que ta acontecendo?

– Porra, cara eu fui lá. Lá no apartamento dela. A Doroth me ajudou e me deu o endereço para ir lá conversar com ela e hoje tinha certeza de que ia colocar ela na parede e tomar uma decisão em relação a nós dois. Esperava que ela ia parar de me tratar mal às vezes que eu ia me declarar pra ela.

– Poxa, cara imagino que ela não quis te receber ou que deu tudo errado!

– Mais do que errado, cara. Quando ia chegando a porta tava meio aberta, pois alguém parecia ter acabado de chegar. E você não imagina o que eu vi.

– Viu o que, cara?

– Ela tava beijando outro maluco, brother. Foi isso que eu vi.

Wallace olhava para o irmão sem entender e tão intrigado quanto o irmão.

– Agora sei, ... – continuava Daniel – Agora eu sei porque ela me recusa e me dá sempre fora. Eu devia ter vergonha na cara! Ela ta com aquele cara que eu a vi beijando.

– Mas e aí?

– Ai que eu meti o pé antes mesmo de entrar e falar com ela. Eu só vi porque empurrei a porta que tava entreaberta e vi os dois se beijando. Ninguém me contou não, cara, eu mesmo vi.

Wallace via o quanto seu irmão estava arrasado e não o vira assim desde que ele teve a crise amorosa com Maria.

Alda e Emiliano continuavam a conversarem e o clima estava acirrado entre os dois.

– Que é isso, Alda, você ta me mandando embora?

– Eu quero que você tome uma decisão entre nós dois, Emiliano e entenda de uma vez que não dá pra nós vivermos esses tormentos a ponto até de atingir nossa filha e passarmos por essa agonia como agora.

– Você que me persegue, Alda, sempre arrumando motivos para nossas brigas. Você é a culpada de tudo. Eu já não aguento mais isso. E agora quer me culpar também por tudo.

– Eu quero minha filha de volta!  E depois que isso se resolver, você decide se vai continuar vivendo ao meu lado me dando uma vida direito e digna.

– Mas não te falta nada, Alda, e nunca faltou nem pra você e nem pra nossa filha.

– Você sabe muito bem do que estou falando, Emiliano, você sabe. Nada é mais precioso do que a atenção, o carinho, a companhia, tudo isso que você esqueceu há tempos. Há muito tempo que você vive indiferente comigo e eu to me sentindo um nada ao seu lado por causa desse teu tratamento comigo.

Emiliano vira-se para o lado e Alda para o outro querendo chorar. Emiliano bem sabia do que ela estava falando e ele realmente se sentia desgastado ao seu lado e não sabia o que dizer.

O silêncio foi quebrado com o toque do telefone. Sem ter noção da urgência ou não do telefonema Emiliano vai atender, mas fala:

– Deve ser Gisele com novidades.

Alda se vira e fica olhando.

– Alô!

– Pai!

– Grace??? Onde você está?

Alda corre quase que desesperada para o lado do marido ao telefone:

– A Minha filha!!!

Do outro lado da linha falando ao celular, Grace mal podia se dar conta do visual que se descortinava diante dos seus olhos quando ela desceu daquele ônibus naquela rodoviária daquela cidade balneária à três horas do Rio de Janeiro.

– Eu to bem pai. To bem. Fala pra mamãe ai pra ficar tranquila que logo que puder to voltando.

Grace sabia que seu pai iria insistir no telefone, mas que isso acontecesse, ela desligou o celular e colocou em sua bolsa de novo. Nas suas costas estava com sua mochila e parecia ter chegado naquela cidade para ficar.

Logo, antes de pegar um táxi ela contemplou o mar que estava a sua frente e que fazia parte da paisagem daquele ponto da rodoviária e reconheceu de longe o que ela muitas vezes ela tinha visto de passagem em sites de turismo. Pelos contornos das montanhas daquela ilha lá ao longe ela reconheceu: Era a Ilha Grande e que logo ao pegar uma traineira em algum ponto próximo ali onde ela estava já estaria lá.

Mas antes disso, precisava se encontrar com uma pessoa que ela premeditadamente tinha marcado no Facebook e que desejava conhecê-lo muito pessoalmente. E não seria ali o local do encontro. Logo que conseguiu um Uber ali mesmo perto da plataforma onde o ônibus a deixou ela se dirige ao motorista:

– To querendo ir à um Shopping perto de um lugar chamado... esqueci agora, moço.

– Sei. Perto das Marinas! – falou o Motorista – Entre moça!

– Antes de ir pra este shopping, eu posso conhecer um pouco a cidade? Amo Angra!

– Tudo bem então.

Quando Grace entrou no veículo e se sentou na parte de trás, ela se sentiu incomodada diante de uma paisagem tão deslumbrante e aquele vidro fumê do veículo atrapalhando.

– Posso descer o vidro aqui moço?

– Sim! – responde o motorista, sorrindo.

Num aperto de botão, o vidro desceu e o sol daquela tarde ainda iluminava com maestria a paisagem deslumbrante daquele local. O Uber decidiu fazer algumas rotas diferentes, para que a jovem pudesse ter a oportunidade de conhecer um pouco a cidade em seguida, avançou para o destino.  

Além do cenário da Ilha Grande de longe ela podia ver ainda outras pequenas ilhas que fazia parte das trezentas e sessenta e cinco ilhas que se dizia ter naquela região.

– Que parte é essa da cidade, moço?

– Essa aqui é a Praia do Anil. Praticamente estamos no centro da cidade. Mas a moça não é daqui de Angra dos Reis?

– Não. Sou do Rio.

– Vem à casa de parentes por aqui?

Grace deu um sorriso e falou.

– Não moço. Na verdade, vim atrás de uma paquera que eu conheci pela internet e vou me encontrar com ele nesse shopping aí das Marinas. Vai demorar chegar, moço? – pergunta ela feliz e radiante por estar em Angra dos Reis.

O motorista estranhou a resposta dela e fez-lhe um alerta:

– Desculpa me intrometer, mas tem certeza de que essa pessoa é confiável? Encontros de internet, podem ser arriscados.

A jovem fica um pouco séria, mas em seguida, responde:

–  Ele é de confiança. Estamos conversando há meses.

Jovem-no-Taxi
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Quinto Capítulo de Corações Desimpedidos

Assim que Daniel acabou de falar com seu irmão no telefone, seus pensamentos pareciam emaranhados de ideias, pois ficou aficionado de poder fazer alguma coisa naquela história, mas em poder ajudar Gisele, impressioná-la e tentar chamar mais a sua atenção. Daniel não podia resistir mais. Estava apaixonado por ela e ele não podia deixar passar aquela oportunidade de fazer alguma coisa também. Só deveria esperar mais um pouco até que seu irmão fizesse o que ele pedira.

Daí por diante não podia mais ficar tranquilo dentro do ambiente de trabalho e começou a ficar inquieto.

Quando foi levar alguns papéis para Doroth que estava substituindo os serviços de sua amada, sua fisionomia não parecia ser a mesma e Doroth percebeu isso, ao examinar uns documentos.

Enquanto ele se servia de café numa bandeja disposta numa mesa ao lado, Doroth examinava os documentos para dar o aval.

Tomando-Café

– Olha, Daniel tem algumas pautas a preencher aqui e além do mais, você esqueceu de assinar esses dois documentos.

Daniel pegou os papéis um tanto sem jeito e isso o constrangeu pois nunca acontecera antes desde que ele começou a trabalhar na empresa.

– Olha Doroth, ... – disse ele tentando se desculpar. – Eu não sei como me distrair assim. Me desculpa, mas eu posso voltar a minha mesa e corrigir tudo agora mesmo.

– Daniel – Doroth olhou bem pro rosto dele e viu que ele estava ruborizado e vermelho, mas sabia que não era de vergonha pelo erro no serviço que lhe entregara, mas ele estava preocupado. – Eu acho melhor deixar pra lá e fazer tudo de novo pelo menos esses quando você tiver legal e mais calmo.

– O que você quer dizer? – perguntou ele surpreso.

– Ora Daniel, ... – disse Doroth com um pequeno sorriso no canto dos lábios – Dá pra perceber o quanto você ficou inquieto com essa história da Grace e que está atingindo a Gisele.

Daniel apertou os lábios e seus olhos se apertaram olhando para Doroth. Ela acertara em cheio.

– Sei que não só que ela está fazendo falta aqui não só para empresa, mas parece muito mais pra você.

– Doroth, é melhor eu voltar para minha mesa e terminar outras coisas. Me dê aqui esses papéis que eu vou corrigir agora.

Daniel ia tomar os papéis das mãos de Doroth novamente, mas ela segura os maços de papéis propositadamente como que tentando impedir de Daniel levar de volta, mas com um vago sorriso no rosto. Mas foi a forma de deter o rapaz mais um pouco e falar olhando bem nos olhos dele:

– Como eu te falei antes eu sei que você ta gostando de minha amiga de verdade e sei o quanto ela ta fazendo falta aqui e o quanto essa história toda o incomodou e você está preocupado com ela.

– Sem ela aqui parece que não tem sentido nada por aqui. Sim, eu confesso. E a você que é a melhor amiga dela.

– Pois então como melhor amiga dela e já que você reconhece isso, quero te pedir mais uma vez se é que eu já pedi antes: Por favor, Daniel, se alguma coisa acontecer entre vocês, eu te peço que não decepcione a minha melhor amiga.

– E por que você está falando assim?

– Eu mais do que ninguém e até você mesmo, sabe o quanto ela sofreu e teve decepções.

Daniel começou a divagar em seus pensamentos ali e começara a compreender a dureza de Gisele com ele.

– Mas o que aconteceu antes?

– Isso eu não posso falar. Gisele é a minha melhor amiga e eu só quero ver a felicidade dela.

Essa última palavra que Doroth disse como se fosse um ultimato, e fez soltar os papéis nas mãos de Daniel olhando ainda pra ele.

– É melhor eu voltar pra minha mesa.

– Já disse que você pode fazer isso depois. Relaxa cara! Está quase na hora do almoço e você pode ir. Aproveita e tenta ficar mais tranquilo. Gisele garantiu que viria ainda hoje e ela cumpre o que diz sempre, não importa o que esteja acontecendo.

O rosto de Daniel se iluminou aos poucos e um sorriso se desbotou de seus lábios olhando pra Doroth.

– Eu já vou almoçar. Vou só na minha mesa.

Se afastou de costas aos poucos e quando ia se virar para seguir para sua mesa esbarrou num colega comicamente.  Doroth deu uma risadinha de deboche, mas sabia o quanto Daniel estava sendo sincero.

– Foi mal, brother, desculpa aí... – O rapaz se desculpava um tanto sem jeito para o colega que não ligou muito, mas seu coração batia acelerado de felicidade, pois tinha certeza agora que tinha uma aliada na sua conquista de Gisele.

– Daniel! – Doroth o chamou pela última vez o que fez Daniel se virar pra ela mais uma vez surpreso. – Só queria te dizer uma última coisa: Só quero te dizer que aconteça o que acontecer, eu... Eu torço por vocês dois.

Daniel vibrou dentro de si e não se continha de felicidade.

Homem-Feliz

Depois de pedir mil desculpas para Sr. Otávio por telefone sobre sua ausência na empresa e este tê-la liberado dos seus serviços devido ao sistema de banco de horas, Gisele aproveitou que ficou em casa e resolveu botar o apartamento em ordem um pouco, mas estava preocupada. Acreditava que fazendo aquela atividade poderia se distrair um pouco e não deixar se envolver demais com a preocupação com sua amiga.

O telefone estava numa posição estratégica para ela pegar no caso de eventual telefonema de notícias de Grace. O celular também estava consigo o tempo todo, no caso se tocasse ela atendesse imediatamente. Mas sua preocupação era tanta e ela começou a se sentir sozinha naquele apartamento. Sabia que todos estavam mobilizados e ela não podia fazer nada no momento.

No momento que ela estava tentando arrumar uns papéis na estante que estava dentro de uns livros, os objetos caíram no tapete do chão. Gisele desceu do banquinho imediatamente para catar os papéis que caíram e... foi inevitável:

Aquela cena, naquele dia quando dos primeiros momentos em que começara a trabalhar com Daniel veio a sua mente.

“Ora, isso não é hora de pensar nisso, num momento tão difícil como esse.”

Gisele tentou afastar aquelas lembranças de seu pensamento. “Você só pode estar louca, Gisele!”

Gisele catou os papéis no tapete, mas ela nem mesma percebera que suas mãos estavam trêmulas e suadas a ponto de manchar os papéis com umas pontas de suor de seus dedos. Realmente se sentira nervosa com aqueles pensamentos que teimava invadi-la:

 “Desculpa Gisele, mas eu não consegui resistir.”

“Você foi longe demais. Não devia ter feito isso.”

Por mais que nunca aceitasse, algo em Daniel a chamava atenção, a provocava. Ela sentia algo por ele, talvez por ele ter uma personalidade contrária à dela, ou querer sei lá se impor mais.

Quando ela se levantou com os papéis nas mãos já que devia pôr de volta na estante, ela parou um pouco e veio novamente aquele momento em que ela estava diante de Daniel naquela vez lá na empresa e:

“Espera aí, Gisele! Sei que você gostou desse beijo. Por que não admite que também está sentindo algo por mim?”

“O quê? Como você pode ter coragem de falar uma coisa dessas? Eu não sinto nada por você.”

“Não é o que os seus olhos dizem Gisele. Sei que você gosta de mim só não tem coragem de assumir isso.”

Era uma petulância e tanto perguntar aquilo e justamente pra ela.

Gisele fechou os olhos e seu rosto parecia brotar gotículas de suor ante os olhos fechados com aquele pensamento.

“Como posso pensar tal coisa.” – Ela brigava com seus pensamentos:

“Daniel, vá embora! Acabou o expediente e acho melhor você ir ou...”

“Ou vai dizer para o Sr. Otávio que eu a beijei a força nesta sala.”

Não queria aceitar que ele lhe atraía de verdade.

Será que a despeito de toda a sua insistência e a repulsa de Gisele de abrir o seu coração e dar espaço a mais alguém, ela estava gostando de Daniel?

Ela perguntava a si mesma. Seus pensamentos eram de nojo de toda as lembranças daqueles momentos ou aquilo tudo estava fazendo falta pra ela? Os gestos de Daniel e sua ousadia com ela naqueles últimos dias.

Só tinha uma maneira, o que lhe ocorreu de pensamento relâmpago de acabar com aquilo e não passar por sobressaltos daquelas lembranças em seus pensamentos.

“Sim! Eu vou dizer sim, Daniel! Eu vou dizer que você entrou por aquela porta e...”

“E o quê Gisele? – diz Daniel, se aproximando de novo.”

O tormento continuava. Até que ela abriu os olhos, deu um sobressalto sacudindo um pouco a cabeça e pensou friamente:

“Só tem um jeito de acabar com isso. É demitindo aquele abusado!”

Será que ela vai fazer isso?

Mas daí a ter a coragem de fazer isso com o rapaz, colocá-lo pra fora da empresa por motivos escusos e não óbvios não era justo – pensava ela. E além de tudo ela já começava a sentir que não conseguiria ficar longe dele nem mais um instante.

Mas como fazer para esquecê-lo por aquele momento? Como driblar essa situação que já estava chegando num ponto totalmente absurdo.

Foi aí que a campainha da porta tocou.

 

Alda e Emiliano estavam transtornados com o rumo que a história estava tomando quanto ao desaparecimento de Grace, mas por enquanto não formaram queixa oficial na polícia devido às quarenta e oito horas obrigatórias que as autoridades impunham depois que as pessoas desapareciam.

Mas mesmo com a situação delicada que estavam passando ainda assim não paravam de se digladiarem.

– E agora? Que você pretende fazer depois que acabar tudo isso? – perguntou Alda na mesa de jantar diante do marido um tanto consternado.

– Vamos esperar, Alda. Se até amanhã não aparecer nenhuma notícia vamos dar a queixa na delegacia e tomar medidas mais...

– Eu não to falando disso, Emiliano! – interrompeu Alda irritada. – Eu confio nos rapazes e nas meninas, principalmente na Gisele. Logo nossa filha vai entrar por esta porta se Deus quiser.

– Mas, do que você está falando então?! O que é mais preocupante pra você do que o sumiço de nossa filha?

– Eu quero saber quando a nossa filha voltar pra casa se nossa situação vai ficar a mesma.

– Ora Alda... – Emiliano deu um salto da mesa irritado e jogando o guardanapo pro lado. – Que que há com você? Num momento como esse você vem falar de nossa relação?

– Claro, é toda a causa da confusão de nossa filha e você sabe disso. Você sabe como são os acontecimentos aqui em casa entre a gente e tem deixado nossa filha insegura. Isso tem que ter um fim.

Emiliano se vira para Alda e se aproxima devagar de novo.

– O que você quer dizer? Você quer acabar com tudo definitivamente é isso?

Alda se levanta e olha para Emiliano pronto para dizer umas palavras para ele.

Emiliano fica olhando para Alda com expectativa naquele momento tenso.

Quando Gisele abre a porta seu coração dispara, mas de ansiedade, pois era Zeca que estava chegando e esperava dele alguma novidade já que ele e os outros estavam mobilizados por causa da procura por Grace.

– Oi Zeca. Que legal você ter vindo. Eu estou tão ansiosa aqui por novidades e ninguém ligou até agora. Entra. E aí?

Gisele ficou tão afoita que nem fechou a porta e ficou entreaberta. Ela puxou o braço de Zeca e o trouxe mais pro meio da sala.

– E então? – perguntou Gisele ansiosa.

Zeca olhava nos olhos de Gisele e não veio trazer só as últimas novidades. Ele vinha num propósito que já tinha há muito tempo e achava que aquele era o momento.

– Eu, quer dizer, nós ficamos sabendo que Grace foi vista num ponto de táxi e pegou um veículo para a rodoviária. Ela deve ter ido para muito longe.

– Meu Deus! – Gisele se afligiu. – Como vou dizer isso para os pais dela?

– Sei que isso aflige não só os pais dela, mas a você e a nós que a conhecemos e se solidarizamos com as pessoas. Por isso que eu vim aqui Gisele. Eu sabia que você estava precisando de alguém, de um amigo ao seu lado no mínimo.

Num impulso, Gisele abraça Zeca e fala:

– Obrigado amigo. Eu estava aqui atormentada.

Mas só Gisele sabia do que estava falando.

– Gisele olha... – Zeca envolveu seus braços nas costas dela.

Gisele ficou um pouco constrangida e tentou se desvencilhar dele.

– Zeca a porta ta aberta. Deixa-me ir lá fechar!

– Só um momento, Gisele. Olha pra mim!

Olhando-um-pro-outro

Daniel, que ficara sabendo que Gisele não iria trabalhar naquele dia, pediu pra ser liberado um pouco mais cedo com a desculpa de que iria resolver umas coisas pessoais e com o auxílio de Doroth, já havia encontrado o endereço de Gisele e como era um prédio que não tinha porteiro, de posse do número do apartamento ele decidiu subir até ao corredor e ir ao encontro dela. Ia falar tudo para ela, tudo o que mais desejava falar e ainda mais agora naqueles momentos em que ela estava fragilizada.

Por um momento ficou pensando antes de subir as escadas o que ia falar com ela, como conseguiu o endereço e seu motivo de estar ali. Mas decidiu subir as escadas enquanto pensava no que ia dizer.

 

Gisele se viu nos braços de Zeca e por um momento as lembranças do passado veio a sua mente ferida.

– Zeca por favor, não é hora disso. Por que isso agora?

– Porque eu ainda gosto de você, Gisele e eu não podia deixar passar esses momentos sem te dizer isso ainda mais numa hora como essas. Você é uma pessoa que se preocupa com as pessoas, que se abnega até de seu trabalho pela causa que você ta abraçando. Eu é que não soube reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. Por favor, me perdoa! Me perdoa e vamos recomeçar tudo de novo.

– Zeca, por favor, me larga. – Ao mesmo tempo ela queria subitamente que Zeca a abraçasse ainda mais, pois tudo que ela queria era um abraço. Mas na falta de Daniel o que ela já estava desejando já era o suficiente. Faz de contas que estava nos braços de seu novo amor.

– Zeca!!! – Gisele encostou sua cabeça no ombro de Zeca. Estava fragilizada e carente e um tanto confusa naquele momento. Zeca, por sua vez entendendo que ela estaria correspondendo segura o rosto dela e olha mais uma vez para ela profundamente num misto de expectativa e esperança.

 

Daniel já está no corredor do apartamento de Gisele e com o papel na mão e confere o número e olha para a porta indicada. Por um momento, ele pensou vendo aquela porta entreaberta que Gisele deveria estar com um de seus amigos já que todos estavam mobilizados por Grace e seu apartamento virou praticamente um quartel general de informações. Caminhou até a porta para bater.

 

Zeca olha para Gisele desesperadamente e Gisele olha para Zeca confusa pelo momento, mas carente. Por um momento pensa no rosto de Daniel e as mãos dele percorrendo suas costas de novo como naquela vez lá no escritório em que a abraçou e a beijou ousadamente.

E Zeca aproxima os seus lábios no dela a abraçando ainda mais. Ela por um momento se entrega para ele naquele momento de carência e pensa em Daniel e em seus lábios quentes que era de Zeca. Se entrega aos beijos dele.

Daniel viu que não tinha sentido bater na porta já que estava entreaberta e achou que Gisele não ia ficar tão assustada já que os dois trabalham na mesma empresa. E seria naquela noite que ele iria fazer cair a última fronteira do coração de Gisele.

Mas quando ele abriu a porta devagarzinho e olhou aquele casal no meio da sala abraçados e aos beijos, mal ele pôde acreditar vendo Gisele com outro cara.

Seus olhos se apertaram e seu coração disparou e suas mãos tremularam segurando a maçaneta da porta entreaberta vendo aquela cena decepcionante.

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Quarto Capítulo de Corações Desimpedidos

Logo pela manhã, Gisele acorda com batidas na porta e saindo da cama às pressas, resolve atender. Ao abrir a porta, encontra Alda acompanhada do marido.

– Dona Alda? Sr. Emiliano?

– Bom dia Gisele! Desculpa incomodá-la tão cedo, mas eu tive que vir aqui. É urgente!

– Aconteceu alguma coisa com a Grace? – Ela se preocupa.

– Bom, foi por isso que viemos em sua casa. Por acaso, ela se encontra aqui?

– Não, Dona Alda. Grace não está aqui! Mas o que houve?

– Eu não sei Gisele, mas hoje eu fui ao quarto da Grace e ela não estava lá. Ela nem ao menos dormiu em casa. Estamos preocupados!

Emiliano começa a coçar a cabeça.

Gisele convida os dois a entrar e decide servir um café.

– Você faz alguma ideia de onde ela esteja, Gisele? – pergunta Emiliano.

– Eu não sei, Senhor Emiliano. Vocês já procuraram saber com alguns parentes? Pode ser que ela esteja na casa de alguma tia, prima, talvez...

– Eu liguei pra alguns parentes próximos e nada. Gisele, a nossa filha sumiu e estamos desesperados. – diz Dona Alda com lágrimas nos olhos. – Por favor, nos ajudem! Sei que você é a melhor amiga da minha filha. Por favor, eu quero a Grace de volta!

Gisele se emociona com as palavras de Alda e Emiliano completa:

– Sei que nós dois cometemos erros, mas eu me preocupo com a minha filha. Eu não sei o que está acontecendo agora com ela neste exato momento, mas só o fato de pensar que ela está em algum lugar sozinha e sem a nossa companhia, eu temo muito por isso.

– Ok! Eu vou ajudá-los. Pode ter certeza disso! Quero a minha amiga de volta também! – diz Gisele, emocionada.

Jovem-Preocupada

Daniel se arruma pra sair quando o celular toca.

Ele verifica no visor do aparelho o número de Maria e decide atendê-la.

– Oi, Daniel! Tudo bem? – pergunta ela do outro lado da linha.

– Oi, Maria! – Cumprimenta ele.

– Então como anda as coisas?

– As coisas vão bem. Obrigado por perguntar!

– Hum. Bom, espero que esteja mesmo! Daniel querido, eu pretendo voltar para o Rio daqui a algumas semanas. – diz ela, em um ambiente onde tocava pagode.

– E posso saber por que está me dizendo isso?

– Eu pensei muito e resolvi voltar pra aí para conversarmos.

– Maria me desculpa, mas eu não tenho nada pra conversar com você.

– Nossa! Por que está falando assim comigo? Você nunca agiu desse jeito.

– Eu mudei, Maria! Não sou o mesmo cara que conheceu antes. Agora preciso desligar! Tenho que trabalhar. – E ele desliga o telefone, deixando-a surpresa.

Ao ser dispensada por ligação, a jovem fica pensativa por alguns instantes quando algumas amigas a chamam.

“Eu não vou deixar você escapar de mim.”

Maria reflete.

 

No apartamento, Gisele decide reunir os amigos e falar sobre o acontecido com Grace. Ela aproveita pra ligar para o Sr. Otávio e comunicar que vai se atrasar um pouco naquele dia, pois teria que fazer algo importante e explica o ocorrido. Como Sr. Otávio já tinha ciência desse amor incondicional de Gisele pelas amigas, ele não se importou muito e entende os motivos da jovem.

Na reunião entre amigos, Zeca se prontifica a vasculhar a cidade inteira na companhia de Murilo e Júlia decide procurar informações no quarto da jovem, sob o consentimento de Alda e Emiliano. Já Gisele pede pra Doroth trabalhar e tentar cobrir ela em algumas funções da empresa até um determinado horário até ela própria chegar e procura entender melhor o que anda havendo na família de Grace.

 

Chegando na empresa, Daniel estranha a ausência de Gisele e decide perguntar a um colega de trabalho sobre ela.

– Ela vem depois, meu amigo! – Ele responde.

– Aconteceu alguma coisa? – Ele pergunta curioso.

– Uma das amigas dela sumiu.

– Ah sim. Entendi! – responde ele. – Que pena!

De repente, ele encontra Doroth chegando e resolve cumprimentá-la.

– Oi, Daniel!

– Oi! Então, fiquei sabendo que Gisele vai chegar atrasada.

– Pois é, Daniel! Ela teve um contratempo e não pôde vir trabalhar cedo. Está sentindo a falta dela?

Daniel sorri sem jeito e consente.

– Não se preocupa não.

– Doroth, será que posso ajudar em alguma coisa?

– Acho que não, Daniel! Mas obrigada de verdade.– responde a jovem, saindo pelo corredor e deixando o rapaz pensativo.

 

Enquanto isso, Murilo se encontra com alguns colegas skatistas e procura se informar com eles sobre a Grace. Um deles o informa que viu uma jovem na noite passada pegando um táxi, mas não souberam informar o destino. Murilo agradece e decide avisar a todos.

– Então, encontraram a minha filha? – pergunta Alda sofrida à Gisele que acabara de receber o telefonema de Murilo.

– Dona Alda, viram a Grace entrar num táxi, mas não souberam dizer pra onde ela foi.

Dona Alda chora nos ombros do marido, que tenta acalmá-la naquela hora tão difícil.

Gisele abaixa a cabeça pensativa e decide rezar para que a amiga esteja bem e que tenha consciência de retornar pra casa.

 

Murilo decide se separar e Zeca concorda. Os dois seguem caminhos opostos.

O skatista decide ir no ponto de táxi e se informar sobre o veículo que saíra na noite passada. O gerente responsável decide ajudá-lo fornecendo informações precisas sobre cada veículo que pegara passageiro no turno noturno e resolve fazer ligações para todos os motoristas deste horário. Depois de algumas tentativas, ele consegue uma pista. O motorista que pegara Grace no horário da noite disse que a jovem tinha pegado o táxi por volta das nove e meia e seguia para uma estação de metrô próxima. Era tudo que ele podia fornecer naquele momento. Na mesma hora, Murilo que estava andando de skate, liga pra Zeca e decide avisá-lo.

Amigos-Skatistas

Daniel faz o seu serviço quando ouve Doroth falar com Gisele no telefone. Ao perceber o tom da conversa, ele sente que sua amada deve estar muito preocupada com o sumiço da amiga e decide pensar em alguma coisa que possa ajudá-la. Mas a quem recorrer? O que ele poderia fazer naquele momento? Bom, ele não teve hesitação. Assim que Doroth desligou o telefone, ele se aproximou e perguntou se tinha possibilidade de a jovem levá-lo até Gisele.

– Você quer que eu te leve à casa da minha amiga mais tarde? – diz Doroth surpresa.

– Sim. Você poderia me fazer esse favor?

– Eu não sei se é uma boa ideia. Gisele não iria gostar disso, Daniel!

– E se você me passasse o endereço? Eu poderia ir lá sem problemas e se ela perguntasse algo, eu diria que descobri por conta própria, ou seja, não vou te envolver nisso! Fica tranquila!

– Daniel, não me comprometa nessa situação. Gisele e eu somos grandes amigas.

– Por favor, confia em mim! Eu estou preocupado de verdade com a sua amiga e tenho certeza de que posso fazer alguma coisa pra ajudá-la.

Doroth fica pensativa por alguns instantes e responde:

– Você tem razão! Talvez você pode ajudar sim. A minha amiga Grace sumiu e estamos ansiosos por notícias dela. Gisele ficaria feliz se Grace voltasse! – diz Doroth, consciente e chateada.

Daniel a abraça e agradece.

– Eu vou fazer o possível e o impossível pra tentar ajudar de alguma forma ok? Espera um minuto. – Ele decide fazer uma ligação e Wallace atende.

Jovem-com-Celular

Após ouvi-lo, Wallace explana:

– Cara, você bebeu? Tá maluco?

– Eu estou sã, entende? Você vai fazer o que eu pedi ou não?

– Eu vou ver isso pra você, mas não te prometo nada.

– Wallace, faz isso por mim meu irmão. Sei que você tem contatos. Portanto me ajude nesse caso da Grace. Você é o único que pode me ajudar.  – diz Daniel sensato.

– Mas eu não sei como te ajudar nessa, cara! Não conheço essa garota.

– Irmão, você pode ver com seus amigos surfistas. Alguém vai dizer algo a respeito.

– Está apaixonadinho mesmo, né?

– Cala essa boca! Assim que eu falar com a Gisele, eu vou pedir uma foto da Grace e vou te mandar. – diz Daniel sério, deixando ele surpreso.

– Você quando se apaixona, fica todo meloso. – provoca Wallace.

– Fica quieto! Ah e você me deve favores, viu? – declara Daniel, desligando o telefone em seguida.

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Terceiro Capítulo de Corações Desimpedidos

Gisele, após voltar a realidade, se afasta de Daniel rapidamente e dá um tapa no seu rosto.

– Por que fez isso? E justamente aqui onde trabalhamos? Eu posso te acusar de assédio!

– Desculpa Gisele, mas eu não consegui resistir. – diz Daniel, sensato. – Você mexe comigo desde o primeiro dia.

– Você foi longe demais. Não devia ter feito isso. – Onde já se viu entrar assim e me beijar a força?

– Espera aí, Gisele! Sei que você gostou desse beijo. Por que não admite que também está sentindo algo por mim?

– O quê? Como você pode ter coragem de falar uma coisa dessas? Eu não sinto nada por você.

– Não é o que os seus olhos dizem Gisele. Sei que você gosta de mim, só não tem coragem de assumir isso.

– Daniel, vá embora! Acabou o expediente e acho melhor você ir ou...

– Ou vai dizer para o Sr. Otávio que eu a beijei a força nesta sala. – Ele a desafia.

Gisele se surpreende com a atitude dele.

– Sim! Eu vou dizer sim, Daniel! Eu vou dizer que você entrou por aquela porta e...

– E o quê Gisele? – diz Daniel, se aproximando de novo.

Gisele não consegue dizer mais nada e o beija outra vez nos lábios, dessa vez não resistindo às investidas dele.

Primeiro-Beijo

Enquanto isso, Zeca decide ir ao apartamento de Gisele e encontra Doroth abrindo a porta.

– Zeca, você por aqui?

– Eu vim falar com a Gisele. Ela já chegou do trabalho?

– Não. Gisele ficou na empresa, mas deve estar chegando.

– E por que você está aqui? Por que não a esperou?

– Ela ficou pra organizar algumas coisas por lá antes de sair e me pediu pra vir preparar algo na casa dela. Você não sabe como a Gisele é?

– Sei. Bom, eu acho que vou lá então. Quem sabe eu não a encontro pelo caminho.

– Espera Zeca! Ela deve estar chegando. Fica mais um pouco aí! – diz Doroth, impedindo de procurá-la.

– Tudo bem, então! – diz Zeca, decidindo ficar e esperar.

 

Na empresa, Gisele e Daniel se afastam um do outro novamente.

– Olha, desculpa mais uma vez por ter acontecido de novo. Eu prometo que não farei mais isso. – diz Daniel.

– Não tem que se desculpar por nada. – diz Gisele, dessa vez consentindo.

Daniel a encara de repente, surpreso.

– Desta vez a culpa é minha. – Ela diz.

– Não! A culpa também é minha. Eu sou seu colega de trabalho e não consegui controlar a minha atitude.

– Já passou do meu horário de sair daqui e eu preciso pegar um táxi pra ir logo pra casa.

– Se você quiser, eu posso te acompanhar.

– Obrigada, mas eu quero ir pra casa sozinha. Até amanhã, Daniel! – E ela pega sua bolsa e sai porta afora.

Daniel decide segui-la.

– Eu não vou deixar você ir sozinha. Não é justo!

– O que você quer hein? Eu já disse que prefiro ir sozinha, ou seja, eu não quero a sua companhia. – diz ela, saindo às pressas da empresa.

– Você está chateada comigo só porque eu a beijei?

– Eu estou chateada com tudo, ok? E você devia ter um pouco de respeito comigo entendeu?

– Ah claro! Eu me esqueci que você é, digamos assim, a chefe da empresa. Os olhos do Sr. Otávio. Pensa que eu não sei que você é a responsável pela empresa segundo o nosso chefe me disse?

– Estou longe de ser a chefe da empresa. Dá licença?

– A secretária faz-tudo, a observadora, a queridinha... Gisele, você pode ser uma ótima profissional e entender tudo dentro do seu ramo de trabalho, mas não é capaz de admitir pra si mesma que está a fim de mim.

Gisele olha para ele e começa a debochar um pouco.

– A fim de você? Daniel, não seja ridículo! Se você sabia que eu era os olhos do Sr. Otávio, por que me beijou naquela sala? Eu posso te tirar da empresa amanhã mesmo se eu quiser.

– Mas você não vai fazer isso comigo, Gisele!

– Não pense que vou deixar barato, Daniel! – diz ela, acenando ao Uber que se aproxima. – Ou você aprende a se situar no seu canto ou vá sofrer o peso das consequências. Tenha uma boa noite!

– Eu não tenho medo de você, Gisele!

De dentro do carro, ela fica perplexa com a resposta dele. O Uber sai em seguida e Daniel fica sério.

 

Neste ínterim, Zeca estranha a demora de Gisele e acha que algo de errado está acontecendo, mas Doroth tenta tranquilizá-lo. Algumas horas depois, ele cansa de esperar e decide procurá-la, deixando a jovem preocupada.

“O que será que houve com ela?”

Doroth reflete sozinha.

Saindo do apartamento, Zeca encontra Gisele pagando o Uber e os dois se encontram no portão.

– Gisele, fiquei preocupado com você. Está tudo bem?

– Sim, Zeca! E por que está aqui no meu apartamento? Aconteceu alguma coisa?

– Eu queria levar um papo contigo, mas você estava demorando.

– Bom, vamos entrar que a gente conversa. – diz Gisele, indo na frente.

 

Daniel decide ir na casa de Wallace e os dois conversam.

– Então ela disse isso com todas as letras? Que ia te ferrar na empresa? Caracas!

– Ela disse, mas sinto que foi da boca pra fora. Jamais vai ter coragem!

– Está com medo, irmão?

– Medo? Nem um pouco. – diz Daniel, parecendo bem tranquilo.

– Sei não hein? Essa Gisele parece ter um parafuso a menos. A garota é beijada e depois nega o que sente. Depois ela te beija novamente e sai irritada. Cara, eu não entendi essa mulher!

– Ninguém consegue entender a cabeça das mulheres, mano! Mas digo uma coisa a você: ela sente algo por mim. Tenho certeza disso! Se não sentisse, não corresponderia ao meu beijo.

Wallace consente.

Amigos-parceiros

Doroth encontra Gisele chegando com Zeca e diz:

– Onde estava, Gisele? Ficamos preocupados com você!

– Problemas na empresa, mas nada que possa ser resolvido com calma. Você já preparou o jantar? Estou exausta! – diz a secretária se jogando no sofá.

– Estou quase terminando. – diz Doroth, tirando a lasanha do forno.

– Hummm. Que cheiro bom vindo desta cozinha! – diz Gisele, sentindo o aroma de longe.

– Este cheirinho de lasanha é bom demais! – completa Zeca.

– É bom sim, mas diz aí o que você queria falar comigo?

– Gisele, eu queria falar contigo sobre a Grace.

– A Grace? – Se surpreende Gisele.

– Sim. Fiquei sabendo que ela pretende viajar.

– Mas ela não me disse nada sobre isso.

– Eu também não sabia. Eu fui fazer um favor para o pai dela e acabei ouvindo-a conversar no telefone com alguém dizendo que iria viajar.

Gisele fica preocupada neste momento e chama Doroth na sala. A jovem atende ao chamado.

– Você sabia que a Grace pretende viajar?

Doroth se surpreende com a pergunta e nega, acenando com a cabeça.

 

Grace arruma sua mochila no quarto quando o celular toca. Ela atende em imediato.

– Oi! Você ainda está em casa? – diz uma voz misteriosa do outro lado da linha.

– Sim. Estou! Mas daqui a pouco eu te ligo. Me espera!

– Tudo bem! Vou ficar aguardando sua ligação.

D. Alda bate na porta e Grace desliga rapidamente o telefone.

– Filha, você está aí?

– Sim mãe! Estou!

– Filha, vem jantar! O jantar está na mesa. Vê se não demora ok?

– Tá bom, mãe! Eu já vou. – responde Grace, mentindo e jogando a mochila janela afora. – Desculpa, mãe! Desculpa, pai! Mas eu prefiro mil vezes ir embora do que ver vocês dois separados. – Ela diz consigo mesma.

E assim ela pula a janela. Pega a mochila e sai pela rua afora levando consigo a única bagagem que lhe pertencia. Longe de casa, ela telefona para o desconhecido.

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